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Se a quantidade faz o veneno, o amor provoca overdoses.

Já pensei que era o amor que nos movia, hoje nem tenho certezas de que ele exista. Talvez amar não passe de uma doença mental grave que nos ilude e nos faz ver outro mundo, outras pessoas e outro nós. Isso explicaria o motivo de as pessoas ficarem muito mal ou até se matarem quando têm um desgosto amoroso. Curaram-se e vêm a verdadeira porcaria do mundo em que vivemos, é compreensível a atitude que daí resulta. Gostava de controlá-lo, mas não falo de escolher a pessoa que amaria, falo de escolher quando queria amar. Quantos amores não foram para sempre porque nem sempre chegam na hora certa?
Se a quantidade faz o veneno, o amor provoca overdoses. Tomara que o amor não fosse tão abominável, ou que tivesse até a mesma dimensão, mas tanto poder não. A capacidade do amor é perigosa, principalmente quando nos desilude e acorda o nosso lado irracionalmente puro.
Se, desde sempre, nunca tivesses pensado com o coração, como estarias agora? A culpa é nossa, que pomos o que não devemos a pensar e deixamos o cérebro, e tudo o que mais não esteja ligado a um tal de amor, de lado. Será uma doença hereditária ou apenas faz parte da nossa essência? Eu penso que ela esteja associada à idade. Envelhecer deve, em todos nós, ser amar cada vez mais ou não amar, se não acreditarmos, nem nos entregarmos para tal. Eu nasci minha. Acredito que amar seja inevitável, mas continuar a amar é opcional, pelo menos para mim. E eu escolhi assim. Vou morrer minha.
~Phi

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