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As fronteiras da vida

Não vejo qualquer utilidade nas fronteiras. Servem apenas para ter-mos definida uma posição. Eu de um lado outro mundo do outro. (Quem terá sido o imbecil?)
As fronteiras servem apenas para definir. Para impor um limite, para dividir. E dividir cria invejas, invejas gera conflitos, conflitos dão em guerras.
Façamos das fronteiras passadeiras.
Ultrapassemos todos os preconceitos. Antes de julgares alguém do outro lado, vai. Ultrapassa o limite. Passa além do nome que separa o sítio onde estás, do sitio para onde podes ir. Não te definas. Não cries fronteiras. Deixa que te descubram. Não te localizes, e só assim te poderás encontrar. Não deixes que os teus medos te moldem. Não dividas para criar um "eu", e não te feches, podes deixar de fora o "tu".
Façamos das fronteiras passadeiras. A única verdadeira fronteira que conheço está entre a vida e a morte. Mas até essa é uma passadeira. A vida é uma passadeira com um único sentido. Sem riscas, não tens tempo sequer de olhar para baixo, mas de riscos. Tem, assim, um fim muito incerto, contudo tem fim, isso é certo. Faz com ela o que uma passadeira exige que faças, passa-a. A passadeira da vida não termina num passeio, ao contrário das habituais, por isso não te iludas. Ela tem de ser o passeio! Faz da tua vida o teu passeio, porque é assim que tem de ser, porque é só o que podes fazer, porque é a fronteira entre existir e viver. A diferença entre uma fronteira e uma passadeira é a de existir e parar, ou viver e continuar. E não passes o passeio pela passadeira a pensar em quando, ou como, ou porquê esta acaba, limita-te a caminhá-la e desfrutar da única coisa que podes fazer. E depois dela? Depois já fizeste o que tinhas e podias fazer (isto é se a aproveitas-te e não complicaste), o resto logo se vê (ou talvez não). É tua opção querer descansar com ou sem o dever cumprido.
Não passes a vida dentro das tuas fronteiras.
~Phi

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