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Amo-te, mas já não gosto de ti

Amo-te, mas já não gosto de ti. Não gosto da pessoa que te tornas-te, ou, pelo menos, na que eu acabei por descobrir. Custa acreditar que todos os motivos que tinha para te amar fui eu que os inventei, e que tudo o que vi em ti não era mais do que o que eu sentia me fez ver. Não conhecia esta pessoa que te revelaste, e é por isso que não gosto de ti, mas ainda te amo.
Não consigo esquecer o que mudaste em mim, o que me fizeste sentir e o que vivemos. Não consigo, nem quero. Talvez já não sejas mais quem eu sempre pensei que fosses, mas ainda existes em mim. Tenho restos das tuas perfeições no imenso espaço que deixaste, agora vazio. Os vestígios que me restam chegam para não te esquecer, mas não são o suficiente para te relembrar.
Já não gosto de ti e, mesmo que ainda te ame, peço-te que não voltes. Fui eu que criei a pessoa que eras, que vi tudo o que não foste, por isso mesmo que me faças falta, tendo-me a mim, não preciso de ti.
~Phi

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Se estiveres ocupado quando o amor te bater à porta, não abras. Devia ser esta a primeira lei de todo o ser humano, não praticar amor em part-time.  Eu, infelizmente, aprendi a lição à pouco tempo, e foi contigo. Lutei pelo o que parecia aparentemente perdido, tão perdido que quase inexistente. Tentei despertar algo em nós que talvez nunca existira, ou, para ti, existiu apenas enquanto tiveste tempo. Abriste-me a porta quando estavas ocupado, apostas-te num amor que, sem eu saber, não passava de um passatempo que agora para ti perdeu, ou toda a piada, ou a prioridade perante todos os outros passatempos que tens.  O que me descansa é que sei que eu senti alguma coisa, eu amei. E tu? Não sei, mas vais sentir falta disso, porque ser amado de verdade é raro, irás ter a certeza, e só aí é que vais aprender a lição. Ainda virás bater-me à porta, atirar com pedras à janela e eu não vou abrir. Provavelmente, já nem irei lá estar. ~Phi

A pobreza resume-se a ti

És pobre. Não materialmente, mas espiritualmente. Tenho vergonha, não por não usares roupas de marca, mas por não me marcares a alma. És pobre, não por teres pouco para me dar, mas por não me dares tudo. Estarei a ser egoísta? Talvez, mas é só assim que sei amar. E tu? Ai, sabes-me a pouco. És pobre e por isso tornei-me pobre também. Não só não tinhas como ainda me roubaste. Esgotaste-me os sentimentos, levaste-me a alma e emprestaste-me as dívidas. Até um ponto tentei sempre pagá-las por ti. Pedi muitas vezes desculpa por não demonstrar um amor que não correspondias e dei-te o que pude sempre que pude. Dei-te tudo. Agora sou pobre, mas só para ti. Guardei o que tenho para quem lute por manter o que tenho, no mínimo. Agora dou, mas com intenção de receber em troca. Se também sou interesseira? Claro que sim. É de interesses que a vida é feita, e tu já não és um deles. ~Phi
Hoje o presente sou eu. Eu e a minha frieza, eu e os meus problemas, eu e a minha solidão. Sou um presente envenenado, corroído por dentro, e num quarto vazio tal como eu. Ofereço-me a ti se me aceitares. Compreendo que digas que não, nunca foste a minha primeira, segunda nem sequer terceira opção, mas és a que me resta. Tentei entregar-me a quem se parecia comigo, a quem eu tinha acesso, mas somos todos como retas paralelas.. temos muito em comum mas nunca nos poderemos cruzar. Enfim, hoje recebe-me na tua casa, aceita-me como teu presente. Sei que não sou digno de ti, Morte, mas hoje peço-te, aceita-me como teu presente. ~Phi & Rho