Somos injustos com a morte. Tememo-la
por toda a parte, culpamo-la de nos tirar quem não soubemos amar em
vida, mas querendo ou não é para ela que caminhamos.
Não é a morte que acaba com a vida.
Simplesmente a vida acaba e a morte é o que nos resta. Morrer não é
deixar de viver, morrer é ir vivendo. Cada dia que passa estás mais
perto de falecer, não porque a morte te espera mas sim porque a vida
termina. É simples. E se existe alguma coisa incompreensível,
egoísta e dolorosa é a vida. Tudo começa por nasceres, depois
ganhas ideias, pensamentos, vais criando um corpo e uma
personalidade, traçando um caminho, enquanto isso vai nascer e
morrer, não só em ti mas ao teu redor, muito do que te move. Nascem
sonhos, morrem pessoas, morrem sonhos e nascem pessoas. Isso não é
culpa da morte, é consequência da vida.
Por vezes a vida acaba em estado
precoce. Parece injusto, sim. Mas, sinceramente, pior que isso é
quando a morte tarda em levar um corpo quente e consciente que a vida
um dia deixou. Vivemos num mundo em que as árvores morrem de pé e
há pessoas a “viverem” deitadas.
Se queres viver,
queres morrer. E este pode parecer o pensamento mais paradoxal de
sempre, mas é a realidade. Porque é a vida que te mata, que acaba
contigo e em ti. O que nos mata não é a morte, é a falta dela.
Antes que o meu
tempo de vida acabe preciso de te dizer uma coisa.. não te esqueças que nunca
~Phi
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