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1' Rascunhos da morte

    Somos injustos com a morte. Tememo-la por toda a parte, culpamo-la de nos tirar quem não soubemos amar em vida, mas querendo ou não é para ela que caminhamos.
    Não é a morte que acaba com a vida. Simplesmente a vida acaba e a morte é o que nos resta. Morrer não é deixar de viver, morrer é ir vivendo. Cada dia que passa estás mais perto de falecer, não porque a morte te espera mas sim porque a vida termina. É simples. E se existe alguma coisa incompreensível, egoísta e dolorosa é a vida. Tudo começa por nasceres, depois ganhas ideias, pensamentos, vais criando um corpo e uma personalidade, traçando um caminho, enquanto isso vai nascer e morrer, não só em ti mas ao teu redor, muito do que te move. Nascem sonhos, morrem pessoas, morrem sonhos e nascem pessoas. Isso não é culpa da morte, é consequência da vida.
    Por vezes a vida acaba em estado precoce. Parece injusto, sim. Mas, sinceramente, pior que isso é quando a morte tarda em levar um corpo quente e consciente que a vida um dia deixou. Vivemos num mundo em que as árvores morrem de pé e há pessoas a “viverem” deitadas.
    Se queres viver, queres morrer. E este pode parecer o pensamento mais paradoxal de sempre, mas é a realidade. Porque é a vida que te mata, que acaba contigo e em ti. O que nos mata não é a morte, é a falta dela.
    Antes que o meu tempo de vida acabe preciso de te dizer uma coisa.. não te esqueças que nunca

~Phi

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